7 Mitos sobre Seguro de Carros Elétricos que Ainda Confundem Muitos Consumidores
Com a chegada de BYD, GWM, Geely, Volvo, Zeekr, Omoda, Jaecoo e outras marcas ao Brasil, o número de elétricos nas ruas cresceu de forma expressiva. O interesse é grande, mas as dúvidas sobre o seguro ainda são maiores. A Ittu Seguros, corretora especialista em veículos elétricos reuniu os sete mitos que mais aparecem no atendimento diário para que você tome decisões com informação de verdade.
Mito 1 – A bateria não tem cobertura no seguro
Essa é, sem dúvida, a dúvida que mais aparece. Muita gente acredita que a bateria de alta tensão fica de fora da apólice por ser um componente caro e específico dos elétricos. Na prática, não é bem assim. A bateria está coberta quando o dano tem origem em um evento previsto na apólice. Se o veículo sofreu uma colisão, um incêndio, um alagamento ou a queda de um objeto e a bateria foi danificada nesse processo, a seguradora cobre o reparo ou a substituição como parte do sinistro. O componente em si não é excluído da cobertura por ser elétrico. O que não entra no seguro é diferente: defeitos de fabricação, desgaste natural ao longo do tempo e a perda gradual de capacidade de carga são situações que pertencem ao escopo da garantia do fabricante, não do seguro. Essa distinção é importante porque os dois produtos existem para cobrir riscos diferentes. O seguro cobre eventos imprevistos. A garantia cobre falhas do produto.
Ao contratar o seguro, vale verificar no texto da apólice se há alguma cláusula específica sobre componentes de alta tensão. Corretoras especializadas conseguem identificar essas diferenças entre as opções disponíveis no mercado.

Mito 2 – Seguro de carro elétrico é sempre mais caro
Essa percepção faz sentido quando se olha para o passado. Nos primeiros anos dos elétricos no Brasil, o mercado de seguros ainda estava se adaptando: poucas seguradoras aceitavam esses veículos, havia escassez de peças e de oficinas capacitadas, e o custo médio dos sinistros era mais alto. Tudo isso pressionava o prêmio para cima. O cenário mudou bastante. Com o crescimento da frota, as seguradoras passaram a ter dados reais de sinistralidade para precificar melhor o risco. A concorrência aumentou, mais oficinas se especializaram e a disponibilidade de peças melhorou com a chegada das montadoras ao país. Hoje, alguns modelos da BYD já apresentam prêmio de seguro semelhante ao de SUVs a combustão de faixa equivalente. O valor final depende do modelo, do perfil do motorista, do CEP de pernoite e das coberturas escolhidas, como acontece com qualquer veículo. Generalizar que elétrico é sempre mais caro não corresponde mais à realidade do mercado.
A melhor forma de saber o valor real é cotar com uma corretora que trabalhe com múltiplas seguradoras. Os preços variam bastante entre elas para o mesmo veículo e perfil.
Mito 3- Qualquer pequeno acidente gera perda total
Esse mito surgiu de casos isolados que ganharam repercussão nas redes sociais: um elétrico com dano aparentemente pequeno sendo declarado perda total pela seguradora. O que ficou de fora da narrativa é o contexto técnico por trás dessas decisões. A perda total acontece quando o custo do reparo supera um percentual do valor do veículo, geralmente entre 75% e 100% dependendo da apólice. Em elétricos de primeira geração, com peças escassas e mão de obra cara, esse percentual era atingido com mais facilidade. Mas isso não é uma regra do segmento, é uma equação de custo. Com o amadurecimento do mercado, a situação mudou. Hoje existem mais oficinas capacitadas para trabalhar com sistemas de alta tensão, o estoque de peças melhorou e os procedimentos de diagnóstico ficaram mais precisos. Um dano que antes levava à perda total pode, hoje, ser reparado dentro de um custo viável.
Isso não significa que perdas totais não acontecem em elétricos. Acontecem, como em qualquer veículo. O ponto é que não são automáticas nem inevitáveis em acidentes de menor gravidade.
Mito 4 – Existe um guincho especial obrigatório para carros elétricos
Essa dúvida aparece com frequência, e a resposta é direta: não existe uma categoria regulamentada de “guincho elétrico” no Brasil. Qualquer guincho convencional pode transportar um veículo elétrico. O que existe são procedimentos específicos indicados pelos fabricantes, e esses procedimentos variam de modelo para modelo. Em alguns veículos, é necessário ativar um modo de transporte antes de rebocar. Em outros, as rodas precisam ficar suspensas durante o transporte para evitar danos ao sistema de tração. Há casos em que o reboque com as quatro rodas no chão é completamente seguro. O problema não é o guincho em si, mas o desconhecimento do procedimento correto. Por isso, ao acionar a assistência 24 horas do seguro, vale informar ao operador que o veículo é elétrico e qual o modelo, para que o guincheiro receba as orientações adequadas antes de chegar ao local.
Consulte o manual do proprietário do seu veículo para saber o procedimento de reboque recomendado pelo fabricante. Essa informação costuma estar na seção de emergências.
Mito 5 – Poucas seguradoras aceitam carros elétricos
Isso era verdade há três ou quatro anos, quando os elétricos ainda eram novidade no Brasil e a maioria das seguradoras não tinha tabelas de referência para precificar esses veículos. Hoje o cenário é outro. As principais seguradoras que operam no Brasil já trabalham normalmente com veículos elétricos e híbridos. A frota cresceu, os dados de sinistralidade se acumularam e o produto deixou de ser tratado como exceção. Alguns modelos mais recentes de marcas chinesas ainda podem ter disponibilidade menor em seguradoras menores, mas nas grandes operadoras do mercado a aceitação é ampla. O que ainda pode variar é o número de seguradoras que aceitam determinados modelos específicos, especialmente os mais novos ou menos comuns. Para esses casos, trabalhar com uma corretora que tenha acesso a múltiplas seguradoras faz diferença real na hora de encontrar a melhor opção.
Mito 6 – Se a bateria apresentar defeito, a seguradora troca
Esse ponto gera muita confusão porque mistura três situações completamente diferentes: sinistro, garantia do fabricante e manutenção. Entender a diferença entre elas evita frustrações na hora de acionar o seguro.
| Situação | Quem cobre | Exemplo
|
|---|---|---|
| Sinistro | Seguradora | Bateria danificada em colisão, incêndio ou alagamento |
| Defeito de fabricação | Fabricante (garantia) | Bateria que para de funcionar sem causa externa identificada |
| Desgaste natural | Custo do proprietário | Perda gradual de autonomia ao longo dos anos de uso |
| Manutenção preventiva | Custo do proprietário | Atualização de software, verificação do sistema de refrigeração |
A seguradora cobre o que é consequência de um evento imprevisto coberto pela apólice. Tudo o que é previsível, progressivo ou decorrente do uso normal do veículo está fora do escopo do seguro. Isso vale para a bateria e para qualquer outro componente, elétrico ou a combustão. As montadoras costumam oferecer garantia específica para a bateria de alta tensão, geralmente de 8 anos ou 160 mil quilômetros, dependendo do fabricante e do modelo. Essa garantia é o canal correto para casos de falha do componente sem causa externa.
Mito 7 – Carros elétricos não podem ser segurados para motorista de aplicativo
Esse é um mito que fecha portas antes mesmo de abrir. A realidade é mais nuançada e, para muitos motoristas, mais favorável do que parece. O uso do veículo para transporte por aplicativo é uma variável que as seguradoras consideram na análise de risco, não uma vedação automática. Algumas aceitam esse perfil de uso normalmente, outras aceitam com condições específicas e outras de fato não trabalham com essa modalidade. O resultado depende de três fatores principais:
- A seguradora: cada uma tem sua própria política de aceitação para uso comercial do veículo.
- O modelo do veículo: modelos com maior disponibilidade de peças e rede de assistência tendem a ter mais opções de seguro.
- O histórico do motorista: tempo de habilitação, histórico de sinistros e pontuação na CNH influenciam diretamente a aceitação e o valor do prêmio.
O erro mais comum é o motorista declarar uso particular quando o veículo é usado para aplicativo. Além de configurar fraude, essa omissão pode levar à negativa do sinistro no momento em que o seguro mais importa. A orientação correta é sempre declarar o uso real do veículo na cotação.
Motoristas de aplicativo com veículos elétricos têm encontrado boas opções no mercado, especialmente com modelos BYD que já têm histórico de sinistralidade consolidado nas seguradoras. Vale cotar com uma corretora que conheça esse perfil específico.
Por que cotar com uma corretora especializada faz diferença?
Cada um dos sete pontos acima tem uma resposta que depende do modelo do veículo, da seguradora e do perfil do motorista. Não existe uma resposta única que sirva para todos os casos, e é exatamente por isso que a cotação direta com uma única seguradora costuma deixar dinheiro na mesa ou coberturas importantes de fora. Uma corretora especializada em veículos elétricos conhece as diferenças entre as apólices disponíveis, sabe quais seguradoras aceitam determinados modelos e perfis de uso e consegue comparar as coberturas de forma objetiva. O resultado é uma contratação mais consciente, sem surpresas na hora do sinistro.
